Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
17:40
Desventuras em New York - Parte II

1 - Ia postar isso dois dias atrás, mas aconteceram alguns imprevistos. Desculpa galerinha

2 - Na boa, assistam Esporte Total da Band. Nunca mais vão querer ver Zorra Total, A Praça É Nossa e nem mesmo Malhação.

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Enquanto esperávamos as portas abrirem eu vi uma loirinha lindí­ssima. Tinha belos olhos também e um corpinho nota mil. Mas devido à situação e ao fato de ela estar acompanhada pelos pais eu não poderia fazer nada mais que ficar olhando. Ela não parecia ser americana. Comentei com meus amigos sobre ela.

Esse foi o meu erro. Ficamos lá os quatro olhando pra ela e fazendo comentários durante uns 50 minutos, que foi o tempo que demoraram pra abrir as portas do trem. Claro que em certo ponto ela notou. Os pais também, e estavam incomodados. Se tivessem quatro marmanjos com cara de latino olhando pra minha filha e fazendo comentários que provavelmente eram calhordas (e eram mesmo) em uma lí­ngua estranha às 2 da manhã, eu também ficaria.

As portas finalmente foram abertas e, devido à distância em que estávamos, ficarí­amos em um vagão diferente do dela. Ficarí­amos. Um de meus amigos teve a brilhante idéia de ir no mesmo vagão que ela. Falei que não era uma boa idéia, iam achar que a gente tava perseguindo a menina. Ele fingiu que não escutou e saiu andando em direção ao vagão em que ela se encontrava. E lá fui eu atrás.

Assim que entramos, o pai dela nos viu e fez uma cara de espanto. Estavam sentados, nessa ordem, a mãe, o pai, a loirinha gata e tinha um lugar vago do lado dela. Ele imediatamente levantou e praticamente jogou a filha pro lugar dele e sentou no dela.

Um de meus amigos sentou no lugar vago e o outro ficou em pé entre o pai e o outro amigo, mas se inclinando pra cima da loirinha gata. Ficava encarando-a com uma cara de galã latino simplesmente ridí­cula. Nesse momento até eu já estava me sentindo constrangido. A mãe já estava pálida e tremendo, provavelmente achando que éramos algum tipo de tarados.

A nossa estação era a última, o que fazia parecer mais ainda que estávamos seguindo os trás. O amigo Don Juan de boteco só tirava os olhos dela para virar pra mim e dar uma risadinha malandra como se dissesse "€œcaralho, ela vai me agarrar a qualquer hora, saca só". Eu não via a hora de eles saltarem, não sei se pelo constrangimento ou pelo sentido de brasileiro malandro pressentindo merda mais uma vez.

Na penúltima estação, eles finalmente saí­ram. Sentei num dos lugares que eles vagaram, aliviado. Comecei a conversar com meus amigos a tremenda merda que ia ser se eles achassem que estávamos perseguindo-os. Isso nos EUA dá uma grande merda, acreditem.

Finalmente chegamos na nossa estação e pegamos um dos caminhos que levava ao salão onde havia a saí­da. Ao adentrar o tal salão, adivinhem quem vemos? A loirinha e os pais.

Eles devem ter saí­do na estação anterior para "€œnos despistar". Pegaram o mesmo trem, apenas mudando o vagão.

A mãe ao nos ver tropeçou na escada, quase se esborrachando por lá mesmo. Meu amigo (é, o galã) gritou algo como "œOlha quem ta ali" e saiu correndo para as escadas. Imediatamente pensei "€œPuta que o pariu, vamos ser presos e deportados pro Brasil"€� e saí­ correndo atrás dele. Os outros dois nos seguiram.

Rapidamente alcançamos a escada e consegui fazer ele parar. Chegamos no final ao mesmo tempo que a loirinha gata. Haviam duas saí­das, uma para esquerda e uma em frente. Todo mundo estava saindo pela frente, mas a famí­lia saiu pela esquerda. A nossa saíver
­da.

Estava escuro e eles apressaram o passo. Comecei a falar alto coisas aleatórias em inglês pra... ah, não sei por quê. E o pior é que eles estavam indo para a mesma direção que a gente.

Na cabeça deles era oficial: Í­amos ataá¡-los a qualquer hora. Até eu mesmo já estava começando a acreditar que era um estuprador. Mas acabei caindo na gargalhada quando o pai falou alguma coisa com as acompanhantes e os três saí­ram correndo. Isso mesmo. Parecia que eles estavam competindo na prova de 100 metros rasos nas Olimpí­adas. Eu, claro, quase caí­ no chão de tanto rir, principalmente quando eles deram uma olhadinha pra trás pra ver se estávamos seguindo-os. Quase saí­ correndo atrás, mas o bom-senso bateu à porta e me lembrou de que eu não estava no Brasil.

Chegando em casa me imaginei velhinho, numa cadeira de balanço contando essa história pros meus netos.

por Ian |